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Luxação do Ombro

O ombro é a articulação do corpo humano com maior amplitude de movimento. A ampla gama de movimentos do nosso ombro que permite posicionarmos nossa mão no espaço dando grande plasticidade aos movimentos do nosso membro superior, por essa amplitude que conseguimos nadar, arremessar objetos, tocar instrumentos, etc. Assim, é a articulação mais propensa a luxação.

 

O que é Luxação do Ombro?
 

Luxação é definida como a perda de contato entre dois ossos que compõe uma articulação. No caso do ombro, a luxação ocorre quando a cabeça do úmero se desloca em relação à  glenóide. O paciente refere como “ombro fora do lugar”, ou “ombro deslocado”. Apresenta uma dor intensa e incapacidade de movimentação do ombro afetado.

 

 

 

 

Como ocorre a luxação do ombro?

Na maioria dos casos a luxação do ombro ocorre depois de um trauma, queda sobre o membro superior durante prática esportiva, queda de bicicleta, skate ou patins, em menor número de casos a luxação por ser atraumática, isto é, não relacionada a um trauma ou acidente. No casos das luxações de ombro traumáticas,  a luxação ocorre porque a energia do trauma  superou a força das estruturas estabilizadoras do ombro, ou seja, os ligamentos gleno-umerais, cápsula articular, tendões e labrum glenoidal.

O mecanismo de trauma mais comum é a queda com o braço abduzido (longe do corpo). A característica principal é a dor aguda e incapacidade de mover o membro acometido após a luxação.

Ainda,  embora com menor frequência, podem ocorrer outras lesões associadas, dentre elas: lesões nos tendões do manguito rotador; lesões neurológicas (dos nervos); lesões vasculares (dos vasos sanguíneos) ou fraturas associadas. Tais lesões ocorrem mais frequentemente em pacientes com mais idade, àqueles com mais de 40 ou 50 anos

 


O que é fratura de Hill-Sacks?

Quando o ombro luxa, a cabeça do úmero colide na borda da glenóide fazendo com que a cabeça umeral fique "amassada" ou "impactada". Esta lesão por compressão é chamada de lesão de Hill-Sacks ou fratura-impacção de Hill-Sacks, e está presente em quase todos os ombros que luxaram, inclusive os ombros com somente 1 episódio de luxação.

 

 


Porque meu ombro continua luxando?

 

Após o primeiro episódio traumático de luxação do ombro, ocorre lesão de um grande número de estruturas estabilizadoras do ombro: lesão do labrum da glenóide (geralmente, sua porção antero-inferior, chamada lesão de Bankart - ver imagens abaixo)), fratura de Hill-Sacks, fratura da borda antero-inferior da glenóide, lesão dos ligamentos gleno-umerais, lesão da cápsula articular. Em um grande número dos pacientes, apesar do ombro ser reduzido (isto é, “colocado” no lugar novamente por um ortopedista) estas estruturas não cicatrizam de forma correta ou suficiente para suportar novas cargas. Assim, a cada novo episódio de luxação ocorre nova lesão e cicatrização cada vez mais ineficiente, tornando cada novo episódio mais fácil de ocorrer. Desta forma o paciente recebe diagnóstico de luxação recidivante do ombro ou instabilidade glenoumeral.

 

Qual o tratamento imediato após a luxação do ombro?

O paciente com diagnóstico, ou mesmo, suspeita de luxação de ombro deve ser encaminhado imediatamente para atendimento ortopédico de emergência.  Não é aconselhável nenhuma manobra de redução (isto é, tentativa de colocar o ombro no lugar) por pessoa que não seja capacitada para isso.

Logo após o ombro sair do lugar, o objetivo imediato é a redução, isto é: reestabelecer o contato articular. Em alguns casos, o ombro volta ao lugar espontaneamente, mas em grande parte das vezes, para que a isso aconteça, é necessária alguma manobra ortopédica.
A redução do ombro luxado deve ser feita por um médico em um ambiente hospitalar ou consultório após uma avaliação clínica e radiográfica. Após o ombro voltar no lugar, novas radiografias devem ser feitas para confirmar que foi reestabelecido o contato articular e para identificar possíveis fraturas associadas.


 

Como é o tratamento da luxação de ombro?

 

Após um episódio luxação do ombro e sua redução, o paciente inicia o tratamento conservador, isto é, uso de tipóia pelo tempo indicado pelo seu especialista, uso de analgésicos e anti-inflamatórios, repouso relativo das atividades e realização de uma ressonância magnética para avaliar possíveis estruturas lesadas não identificáveis à radiografia simples. No retorno ao consultório do especialista em ombro este paciente será re-examinado e sua ressonância magnética avaliada. Muitos são os fatores ponderados pelo especialista para definir entre o tratamento conservador e o cirúrgico: idade, atividade esportiva, grau de demanda funcional do membro, doenças associadas, expectativa do paciente, número de lesões, radiografias e ressonância magnética.

O tratamento conservador consiste inicialmente em analgésicos, antiinflamatórios e imobilização provisória. A fase inicial dura aproximadamente 3 a 4 semanas, temos como objetivos diminuir a dor e a inflamação, e esperar que ocorra a cicatrização das estruturas lesadas. A segunda fase do tratamento visa a restabelecer a amplitude dos movimentos da articulação. A terceira e última fase é a do fortalecimento muscular. Através do fortalecimento muscular, tenta-se maximizar a ação dos músculos na função estabilizadora do ombro (principalmente os músculos do manguito rotador), a fim de se tentar compensar a função das estruturas que foram lesadas no evento da luxação do ombro. Todo esse processo de reabilitação, envolvendo as 3 fases do tratamento, tem duração de 3 a 4 meses.

 


Quando está indicado e no que consiste a o tratamento cirúrgico?

O tratamento cirúrgico está indicado na falha do tratamento conservador, quando já ocorreram 2 ou mais episódios de luxação do ombro, quando o paciente se priva se realizar sua atividade física por dor ou medo de novo episódio de luxação, ou quando ocorrem lesões associadas que necessitem de tratamento cirúrgico (como lesões do manguito rotador).
Em atletas a cirurgia pode ser indicada após o primeiro episódio de luxação, caso a ressonância magnética evidencie lesão extensa e de difícil cicatrização.
Na grande maioria dos pacientes a cirurgia para correção da luxação de ombro é realizada de forma minimamente invasiva, por videoartroscopia. Nesta técnica minimamente invasiva, o ombro é abordado através de 3 incisões de 1 a 2 cm , nas quais são introduzidos uma câmera  e instrumentos delicados para a realização da cirurgia. São utilizadas âncoras (entre 2.7 e 3 mm de diâmetro) para reparar as estruturas lesadas, reinserindo-as novamente no osso da glenóide.




Como é a recuperação e a reabilitação após a cirurgia?

Após a cirurgia, o paciente precisa ficar com tipóia por pelo menos 4 semanas, a fim de que as estruturas que foram reparadas na cirurgia tenham tempo de cicatrizar. Não usar a tipóia por este período coloca em risco a cicatrização e consequentemente a cirurgia. Não existem técnicas ou medicamentos que possam abreviar esse período de imobilização.

Após esse período de  4 semanas imobilizado, o paciente começa sua reabilitação, seguindo os mesmos princípios do tratamento conservador. Primeiramente, ganha-se amplitude de movimento do ombro e depois o fortalecimento muscular. O paciente normalmente tem o retorno às atividades normais e esportivas por volta de 6 meses após a realização da cirurgia.